Em fevereiro, o imposto do botijão de gás sobe. Noventa e um centavos por botijão. Parece pouco até o dia em que o rapaz da revenda fala o preço novo na porta da sua casa.
Como analista de comunicação, a minha pergunta é mais simples que a conta. Quando esse aumento chegar, quem vai levar a culpa?
O que subiu
A partir de 1º de fevereiro de 2027, o ICMS do gás de cozinha passa de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo. Na gasolina, de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro. No diesel, de R$ 1,17 para R$ 1,30. Quem decidiu foi o Confaz, o conselho que reúne os secretários de Fazenda de todos os estados.
Aqui em Rondônia teve mais um. No dia 29 de outubro, a Receita Estadual publicou uma norma que muda a pauta fiscal do gado, o valor de referência que o fisco usa para cobrar o ICMS de cada cabeça. Vale desde 1º de novembro. Das 22 categorias, 19 subiram e 3 caíram. O bezerro mestiço de 9 a 12 meses foi de R$ 1.904 para R$ 2.532, alta de 33%. O boi gordo subiu pouco mais de 2%, e a vaca gorda ficou um pouco mais barata.
O deputado Delegado Camargo mandou 32 perguntas ao governo sobre o gado e cobrou saber como Rondônia votou no Confaz. As matérias não trazem resposta do governo até agora.
O medo que move a política
Em 1986, o cientista político americano Kent Weaver publicou um estudo chamado A política da evitação de culpa. A ideia cabe numa frase. Político tem mais medo de levar culpa do que vontade de receber elogio.
O motivo é o eleitor. A gente pesa mais o que perde do que o que ganha. A praça que o prefeito inaugurou sai da memória em seis meses. O preço do gás volta todo mês para lembrar.
Weaver observou que, por isso, governos aprendem a deixar a má notícia sem dono. Ela sai de um conselho, onde a assinatura é de todo mundo. Sai de uma coordenadoria, com nome técnico que ninguém entende, como pauta fiscal. E sai numa hora em que pouca gente está olhando.
Não dá para afirmar que a data dessas decisões foi escolhida de propósito. Dá para dizer que ela se encaixa direitinho no padrão. Primeiro a urna, depois a notícia ruim.
A culpa procura endereço
Só que tem um detalhe que o manual de evitar culpa não resolve. Quem decidiu está saindo. O governo de Rondônia troca de mãos em janeiro, e o aumento do combustível chega na bomba em fevereiro.
O eleitor não vai ler ata do Confaz nem Diário Oficial. Ele vai ver o preço subir e olhar para quem estiver sentado na cadeira. A culpa sem dono sempre acaba encontrando um, e costuma ser o mais fácil de achar.
Para quem chega, isso vira um problema de comunicação logo no primeiro mês. Ficar calado é assinar embaixo. Culpar o antecessor rende uma semana de manchete e cansa rápido. Explicar a origem do aumento sem parecer desculpa é o caminho mais difícil, e talvez o único que dure. Como o novo governo vai lidar com isso ainda é uma pergunta aberta, e vale acompanhar.
A conta do bar
No fim, é igual conta de bar. Quem pediu a rodada já foi embora. Quem ficou na mesa é que paga.
E nós, consumidores, ficamos na mesa do lado vendo a conta passar de mão em mão. Com o botijão mais caro do mesmo jeito.
Expliquei isso em menos de um minuto, com os números na tela. Assista ao vídeo no meu Instagram: instagram.com/reel/DfXOlARxjPx
COLUNA DA HORA

Jornalista e Redator Publicitário.
DRT – 2057/RO