Há um ponto importante que tem chamado a atenção na disputa pelo Governo de Rondônia em 2026. A distância entre o candidato que sobe no palanque e o cidadão que está do outro lado da tela, do rádio ou da rua é fator relevante, sim. Em política, postura também comunica. E quando o cidadão percebe arrogância, superioridade ou excesso de confronto, o tema deixa de ser apenas sobre propostas e passa a ser sobre identificação.
No caso de Marcos Rogério, essa percepção não é uma discussão nova. Após a derrota para Marcos Rocha na eleição de 2022, veículos locais chegaram a atribuir parte do resultado à imagem de arrogância, vaidade e excesso de agressividade construída durante a campanha. Em 2026, entretanto, há também análises apontando uma tentativa de mudança de comportamento, com uma postura descrita como mais moderada e dialogada.
Com Adailton Fúria, o cenário é diferente, mas a questão da postura pública também aparece no ambiente eleitoral. A pré-campanha dos dois nomes foi marcada por confrontos, críticas e provocações públicas, compondo uma disputa que, em determinados momentos, parece mais preocupada em vencer o adversário do que em conversar com o cidadão.
O ELEITOR NÃO QUER UM CANDIDATO ACIMA DELE
O eleitor rondoniense não vive de discurso político. Ele acorda cedo, enfrenta o trânsito, espera atendimento na unidade de saúde, paga conta, abastece o carro, administra o orçamento da casa e tenta garantir comida na mesa e pagar o aluguel de sua casa no fim do mês.
É exatamente esse eleitor que observa os candidatos. E talvez exista aí uma das maiores dificuldades de qualquer candidatura, porque é difícil confiar em alguém quando a postura transmitida é de distância.
Quem está desempregado não quer ouvir apenas números. Quem espera meses por uma consulta quer ser ouvido. O pequeno produtor quer estrada em boas condições. O comerciante quer segurança. O servidor quer respeito. A mãe que leva o filho para a escola quer saber se o governo vai funcionar. São pessoas comuns, com problemas concretos, que não necessariamente se identificam com políticos que parecem falar de cima para baixo.
Pesquisa Quaest divulgada em agosto mostrou Marcos Rogério com 24% e Fúria com 21%, em empate técnico, entre 804 eleitores entrevistados. Ou seja, independentemente das oscilações dos levantamentos, existe um eleitorado amplo ainda em processo de avaliação dos nomes.
E esse eleitor não é uma estatística. É o trabalhador que assiste ao debate depois do expediente. É a dona de casa que comenta a eleição enquanto prepara o jantar. É o motorista que escuta a entrevista no rádio. É o servidor que acompanha as promessas sem saber se elas chegarão ao contracheque ou à sua repartição. É o produtor rural que quer menos discurso e mais estrada.
No fim, a política pode até ser uma disputa de argumentos, pesquisas e estratégias. Mas eleição continua sendo, antes de tudo, uma conversa entre pessoas.
E talvez seja justamente aí que esteja o maior desafio de Marcos Rogério e Adailton Fúria: não é apenas parecer forte diante dos adversários. Para governar, é preciso também parecer próximo de quem está do outro lado.
Porque o eleitor pode admirar firmeza. Pode gostar de candidato que não recua. Pode até votar em alguém de discurso duro.
Mas, quando olha para quem pretende governar Rondônia, também procura uma coisa muito simples e real, que é uma pessoa que pareça gente, assim como ele.
COLUNA DA HORA
