COLUNA DA HORA, JORNALISTA GÉRI ANDERSON / ANÁLISE – Adaílton Fúria x Hildon Chaves: experiência, continuidade e mudança

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Adaílton Fúria e Hildon Chaves chegam à disputa pelo Governo de Rondônia com algo em comum: os dois tentam transformar a experiência acumulada em municípios importantes em credencial para governar todo o Estado. Mas é justamente na forma como cada um constrói essa experiência que aparece o principal contraponto.

Fúria representa uma continuidade com identidade própria. Ex-prefeito de Cacoal, ele está politicamente associado ao grupo do governador Marcos Rocha e, por isso, tende a ser cobrado pelos resultados e pelos problemas da atual administração estadual. Ao mesmo tempo, procura apresentar sua trajetória municipal como prova de que pode levar para Rondônia uma gestão mais próxima do cidadão e baseada em resultados. Essa posição é politicamente delicada: ele pode capitalizar aquilo que considera positivo no governo atual, mas também precisa explicar ao eleitor aquilo que pretende fazer diferente.

Hildon, por sua vez, aposta mais fortemente na experiência administrativa. Depois de oito anos comandando Porto Velho, apresenta-se como alguém que já enfrentou, na prática, os desafios de administrar uma grande estrutura pública. Seu discurso recente coloca gestão, responsabilidade fiscal e combate à corrupção entre os principais eixos de sua proposta para o Estado.

O confronto fica interessante justamente porque os dois têm experiência de prefeitura, mas chegam ao eleitor com narrativas diferentes.

Fúria pode dizer: “conheço a realidade do interior e sei administrar uma cidade que cresceu.”

Hildon pode responder: “já administrei a maior cidade de Rondônia e sei o tamanho da máquina pública estadual.”

E existe outro ponto importante: a idade e o tempo de experiência política também entraram no discurso eleitoral. Em entrevista, Hildon chegou a afirmar que Fúria ainda não estaria preparado para governar o Estado, usando a falta de experiência como argumento contra o adversário.

Fúria, naturalmente, tem uma resposta implícita para esse tipo de crítica: experiência não é apenas tempo de política. É também capacidade de entregar resultados, conhecer os problemas do interior e apresentar uma nova geração de gestores.

É aí que o eleitor precisa prestar atenção.

Hildon precisa provar que sua experiência em Porto Velho pode ser transformada em uma gestão estadual eficiente. Fúria precisa provar que sua experiência em Cacoal é suficiente para enfrentar problemas muito maiores, como saúde regional, infraestrutura, segurança, educação, logística e equilíbrio das contas estaduais.

Há ainda uma diferença política relevante. Hildon tenta se posicionar como alternativa ao grupo que atualmente comanda o Estado, enquanto Fúria chega mais próximo da estrutura governista. A imprensa local tem identificado justamente esse contraste como um dos principais desafios de Fúria: apresentar-se como renovação sem romper completamente com o grupo político ao qual está associado.

Os números eleitorais também ajudam a entender o tamanho desse duelo. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em julho, Fúria apareceu com 28%, enquanto Hildon registrou 13% no primeiro turno. A diferença mostra que, naquele momento, Fúria ocupava uma posição eleitoral mais confortável, embora a campanha ainda pudesse alterar significativamente o cenário.

Mas eleição não se ganha apenas com fotografia de pesquisa.

No fim, a pergunta que o eleitor rondoniense terá de responder é simples: quer apostar na experiência de quem já administrou Porto Velho, na renovação representada por Fúria ou em uma combinação diferente dessas duas ideias?

Hildon precisa convencer que experiência significa capacidade de fazer mais e melhor.

Fúria precisa mostrar que juventude e experiência municipal podem se transformar em capacidade para governar um Estado inteiro.

E talvez esse seja o verdadeiro contraponto entre os dois: Hildon tenta transformar sua experiência em autoridade para governar; Fúria tenta transformar sua trajetória recente em argumento para mostrar que uma nova geração pode assumir o comando de Rondônia.

Para o eleitor, entretanto, discurso nenhum deveria ser suficiente. O que importa é olhar para o passado de cada um, comparar resultados, examinar alianças e perguntar: quem tem o plano mais concreto para resolver os problemas que Rondônia enfrenta hoje?

GÉRI ANDERSON / EDITOR CHEFE DO PORTAL COLUNA DA HORA

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