{"id":47327,"date":"2026-09-20T12:47:36","date_gmt":"2026-09-20T15:47:36","guid":{"rendered":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=47327"},"modified":"2026-09-20T12:47:36","modified_gmt":"2026-09-20T15:47:36","slug":"coluna-da-hora-jornalista-geri-anderson-o-orgulho-cultural-do-arraial-flor-do-maracuja-virou-um-triste-retrato-do-descaso-em-rondonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=47327","title":{"rendered":"COLUNA DA HORA, JORNALISTA G\u00c9RI ANDERSON &#8211; O ORGULHO CULTURAL DO ARRAIAL FLOR DO MARACUJ\u00c1 VIROU UM TRISTE RETRATO DO DESCASO EM ROND\u00d4NIA"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">\u00a0<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-47329\" src=\"https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"398\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR-300x169.jpg 300w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR-768x432.jpg 768w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR-260x146.jpg 260w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR-600x338.jpg 600w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/> <img decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-47330\" src=\"https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR2-300x169.jpg 300w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR2-768x432.jpg 768w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR2-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR2-260x146.jpg 260w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR2-600x338.jpg 600w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FLOR2.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><\/h1>\n<p class=\"isSelectedEnd\" style=\"text-align: center;\"><em>O que j\u00e1 foi s\u00edmbolo de tradi\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e orgulho para os rondonienses come\u00e7a a revelar, mais uma vez, os efeitos da falta de planejamento e da desvaloriza\u00e7\u00e3o da cultura popular<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">H\u00e1 festas que simplesmente acontecem e h\u00e1 festas que fazem parte da mem\u00f3ria de um povo. O Arraial Flor do Maracuj\u00e1 pertence \u00e0 segunda categoria. H\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas, quadrilhas, bois-bumb\u00e1s, brincantes, m\u00fasicos, artes\u00e3os, comerciantes e fam\u00edlias ajudaram a transformar o evento em uma das maiores vitrines da cultura rondoniense. Em 2024, na 40\u00aa edi\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio Governo de Rond\u00f4nia contabilizou 170 mil visitantes e mais de R$ 1,5 milh\u00e3o em vendas.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Por isso mesmo, o que se v\u00ea na abertura da edi\u00e7\u00e3o de 2026 provoca muito mais do que frustra\u00e7\u00e3o: uma verdadeira preocupa\u00e7\u00e3o. O arraial, que j\u00e1 foi reconhecido como o maior do Norte e chegou a ser apresentado pelo pr\u00f3prio Estado como uma refer\u00eancia cultural regional, come\u00e7a sua 42\u00aa edi\u00e7\u00e3o cercado de reclama\u00e7\u00f5es sobre problemas de ilumina\u00e7\u00e3o e fornecimento de energia, al\u00e9m de relatos de que a programa\u00e7\u00e3o folcl\u00f3rica n\u00e3o teria funcionado como esperado na primeira noite. O cen\u00e1rio, segundo comerciantes e participantes, tamb\u00e9m foi de p\u00fablico abaixo da expectativa no primeiro fim de semana, o que nunca havia acontecido antes, j\u00e1 que a festa cultural era aguardada com ansiedade por boa parte da popula\u00e7\u00e3o, principalmente a mais tardicional.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">E n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender parte dessa frustra\u00e7\u00e3o. A festa, tradicionalmente associada aos meses de junho e julho, foi empurrada para setembro esse ano e nos anos anteriores vinha sendo jogada para agosto. Essas mudan\u00e7as n\u00e3o acontecem por acaso. A organiza\u00e7\u00e3o, nesses \u00faltimos seis anos sempre justificava que a nova data seria definida ap\u00f3s discuss\u00f5es entre a Sejucel, a Uni\u00e3o Junina e representantes das agremia\u00e7\u00f5es, sob raz\u00e3o de quest\u00f5es t\u00e9cnicas, operacionais e organizacionais.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Mas planejamento n\u00e3o pode olhar apenas para quem organiza. Precisa olhar tamb\u00e9m para quem trabalha, vende, brinca e frequenta. Para o trabalhador assalariado, seja servidor p\u00fablico ou empregado da iniciativa privada, o meio do m\u00eas pode representar um per\u00edodo mais apertado financeiramente. Quando uma festa popular \u00e9 deslocada para uma \u00e9poca diferente daquela em que o p\u00fablico est\u00e1 acostumado a consumi-la, a organiza\u00e7\u00e3o precisa considerar esse comportamento econ\u00f4mico. Afinal, cultura tamb\u00e9m \u00e9 for\u00e7a econ\u00f4mica.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">E quem paga a conta dessa falta de p\u00fablico \u00e9 justamente quem est\u00e1 dentro do arraial tentando ganhar a vida. Comerciantes relatam movimento abaixo do esperado e, em alguns casos, redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de bebidas, comidas e lanches para tentar diminuir preju\u00edzos. At\u00e9 o parque de divers\u00f5es, segundo relatos, n\u00e3o teria operado plenamente nos primeiros dias.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">\u00c9 uma ironia dif\u00edcil de ignorar, pois o Estado anuncia um evento que deveria movimentar a economia criativa, o turismo e o com\u00e9rcio local, mas os pr\u00f3prios trabalhadores envolvidos na festa come\u00e7am a fazer contas para descobrir como evitar preju\u00edzo.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O Flor do Maracuj\u00e1 n\u00e3o nasceu ontem. \u00c9 uma hist\u00f3ria que n\u00e3o merece ser tratada como evento qualquer. Em 2024 completou 40 edi\u00e7\u00f5es. A hist\u00f3ria come\u00e7ou d\u00e9cadas atr\u00e1s, l\u00ed ao lado do Gin\u00e1sio Cl\u00e1udio Coutinho onde j\u00e1 foi um aeroporto regional no &#8220;tempo do bumba&#8221; e hoje \u00e9 o Complexo esportivo Deroche. \u00c9 uma preciosidade que j\u00e1 atravessou gera\u00e7\u00f5es e consolidou o arraial como patrim\u00f4nio cultural de Rond\u00f4nia. A legisla\u00e7\u00e3o estadual reconhece o Flor do Maracuj\u00e1 como Patrim\u00f4nio Cultural de Natureza Imaterial do Estado, justamente pela relev\u00e2ncia de sua manifesta\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">\u00c9 exatamente por isso que a sensa\u00e7\u00e3o de abandono incomoda tanto. Quando uma festa dessa dimens\u00e3o enfrenta sucessivas mudan\u00e7as de calend\u00e1rio, problemas de estrutura, dificuldades de organiza\u00e7\u00e3o e perda de prest\u00edgio popular, n\u00e3o est\u00e1 em jogo apenas um evento de dez dias. Est\u00e1 em jogo a mem\u00f3ria cultural de Rond\u00f4nia. E nesse ponto esse artigo jornal\u00edstico n\u00e3o pode ficar restrito ao Governo do Estado.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Tamb\u00e9m \u00e9 preciso perguntar onde est\u00e3o os parlamentares, vereadores, deputados estaduais e demais representantes pol\u00edticos que discursam sobre a valoriza\u00e7\u00e3o da cultura, mas muitas vezes parecem lembrar dela apenas quando chega a hora de subir ao palco, tirar fotografia ou publicar uma homenagem nas redes sociais.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Cultura n\u00e3o pode ser tratada como decora\u00e7\u00e3o de mandato. N\u00e3o basta liberar recursos, montar estruturas e anunciar uma programa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso acompanhar, fiscalizar, cobrar planejamento e exigir que um patrim\u00f4nio cultural dessa dimens\u00e3o seja tratado com a responsabilidade que merece.<\/p>\n<h2><strong>O FLOR PRECISA VOLTAR A SER ORGULHO<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Rond\u00f4nia n\u00e3o pode aceitar que uma tradi\u00e7\u00e3o constru\u00edda por gera\u00e7\u00f5es seja lentamente desidratada pela falta de prioridade. O Flor do Maracuj\u00e1 j\u00e1 provou que tem for\u00e7a. J\u00e1 provou que consegue reunir multid\u00f5es, gerar renda, revelar artistas, movimentar comerciantes e preservar manifesta\u00e7\u00f5es que fazem parte da identidade de Rond\u00f4nia. Em 2024, foram 170 mil visitantes em dez dias de festa.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O problema, portanto, n\u00e3o \u00e9 falta de p\u00fablico potencial. \u00c9 a necessidade de devolver ao evento a import\u00e2ncia que ele conquistou. O povo rondoniense n\u00e3o precisa que seus governantes fa\u00e7am favor ao Flor do Maracuj\u00e1. Precisa que entendam que cultura tamb\u00e9m \u00e9 patrim\u00f4nio, economia, identidade e pertencimento.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O que hoje deveria ser uma celebra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de Rond\u00f4nia corre o risco de se transformar em s\u00edmbolo de uma hist\u00f3ria que est\u00e1 sendo deixada de lado. E quando o maior arraial do estado come\u00e7a a provocar mais reclama\u00e7\u00f5es do que encantamento, alguma coisa est\u00e1 muito errada.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O Flor do Maracuj\u00e1 n\u00e3o pode morrer aos poucos por falta de cuidado. Rond\u00f4nia merece uma festa \u00e0 altura da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>COLUNA DA HORA &#8211; JORNALISTA G\u00c9RI ANDERSON\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-47331\" src=\"https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/eujor2-274x300.jpg\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/eujor2-274x300.jpg 274w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/eujor2-133x146.jpg 133w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/eujor2.jpg 477w\" sizes=\"(max-width: 274px) 100vw, 274px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 O que j\u00e1 foi s\u00edmbolo de tradi\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e orgulho para os rondonienses come\u00e7a a revelar, mais uma vez, os efeitos da falta de planejamento e da desvaloriza\u00e7\u00e3o da cultura popular &nbsp; H\u00e1 festas que simplesmente acontecem e h\u00e1 festas que fazem parte da mem\u00f3ria de um povo. 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