{"id":46457,"date":"2026-09-10T08:18:03","date_gmt":"2026-09-10T11:18:03","guid":{"rendered":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=46457"},"modified":"2026-09-10T08:18:03","modified_gmt":"2026-09-10T11:18:03","slug":"brasil-melhora-desempenho-escolar-no-longo-prazo-mas-patamar-e-baixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=46457","title":{"rendered":"Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar \u00e9 baixo"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p><a class=\"\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2026-09\/brasil-melhora-desempenho-escolar-no-longo-prazo-mas-patamar-e-baixo\"><br \/>\n                    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.jsdelivr.net\/gh\/sergiosdlima\/assets-ebc@1.0.0\/abr\/assets\/images\/logo-agenciabrasil.svg\" alt=\"Logo Ag\u00eancia Brasil\"><br \/>\n\t\t\t\t<\/a><\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia entre o desempenho dos estudantes brasileiros e a m\u00e9dia dos alunos de pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) no Pisa 2025 n\u00e3o significa, necessariamente, que o Brasil tenha avan\u00e7ado em aprendizagem. Especialistas ouvidos pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0apontam que a aproxima\u00e7\u00e3o ocorreu principalmente porque o desempenho brasileiro permaneceu relativamente est\u00e1vel enquanto a m\u00e9dia dos pa\u00edses da organiza\u00e7\u00e3o recuou, especialmente nos \u00faltimos anos.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1701988&#038;o=rss\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1701988&#038;o=rss\"><\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;O pa\u00eds tem mantido seus resultados relativamente est\u00e1veis, enquanto a m\u00e9dia da OCDE recuou. Portanto, embora tenha evitado uma piora, o desafio brasileiro continua sendo promover ganhos consistentes de aprendizagem&#8221;, diz\u00a0Felipe Proto, vice-presidente de Educa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Lemann<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3>Not\u00edcias relacionadas:<\/h3>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2026-09\/pisa-brasil-reduz-diferenca-para-paises-ricos-no-desempenho-escolar\">Pisa: Brasil reduz diferen\u00e7a para pa\u00edses ricos no desempenho escolar.<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>O Pisa \u00e9 o Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes (Pisa), coordenado pela OCDE, entidade que re\u00fane 38 pa\u00edses, incluindo algumas das maiores economias do planeta, para produzir estudos, estat\u00edsticas e recomenda\u00e7\u00f5es sobre pol\u00edticas p\u00fablicas e desenvolvimento econ\u00f4mico e social. Aplicado a cada tr\u00eas anos pela entidade, a prova avalia os conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos de idade em matem\u00e1tica, leitura e ci\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos afirmar que o Brasil melhorou no longo prazo, sobretudo em ci\u00eancias e leitura. No entanto, parte importante da aproxima\u00e7\u00e3o ocorreu porque a m\u00e9dia da OCDE caiu, especialmente em matem\u00e1tica&#8221;, avalia Rodrigo Fulg\u00eancio, 1\u00ba vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe).<\/p>\n<p>Com os resultados de 2025, que se mantiveram similares em rela\u00e7\u00e3o a 2022, <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2026-09\/pisa-brasil-reduz-diferenca-para-paises-ricos-no-desempenho-escolar\" target=\"_blank\">o Brasil<\/a> segue no grupo abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE nas tr\u00eas disciplinas. Foram 408 pontos em leitura, 377 em matem\u00e1tica e 409 em ci\u00eancias. Nessa mesma ordem, a m\u00e9dia de 23 pa\u00edses da OCDE ficou em 466 (leitura), 469 (matem\u00e1tica) e 486 (ci\u00eancias). Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar. Em matem\u00e1tica, por exemplo, o Brasil est\u00e1 com cerca de 4,6 anos de atraso em rela\u00e7\u00e3o aos membros da OCDE.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia, no entanto, j\u00e1 foi bem maior, quando se comparam os dados entre os anos de 2006 e 2025. A diferen\u00e7a de desempenho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE diminuiu de 102 para 58 em leitura (redu\u00e7\u00e3o de 44 pontos), de 131 para 92 em matem\u00e1tica (39 pontos) e de 113 para 77 em ci\u00eancias (36 pontos).<\/p>\n<h2>Ganhos em escala<\/h2>\n<p>Mestre em matem\u00e1tica e gerente da CASIO Educa\u00e7\u00e3o, Jalman Lima afirma que \u00e9 positivo que o Brasil n\u00e3o tenha acompanhado a intensidade de queda na educa\u00e7\u00e3o observada em diversos pa\u00edses, mas essa estabilidade ainda ocorre em um patamar de desempenho educacional muito baixo, j\u00e1 que somente 28% dos estudantes atingiram pelo menos o n\u00edvel 2 em matem\u00e1tica, que \u00e9 o m\u00ednimo.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;O principal desafio continua sendo transformar essa estabilidade em crescimento real da aprendizagem matem\u00e1tica, ampliando a capacidade dos estudantes de interpretar situa\u00e7\u00f5es, relacionar informa\u00e7\u00f5es, escolher estrat\u00e9gias de resolu\u00e7\u00e3o&#8221;, pondera.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&#8220;O ponto central \u00e9 que o Brasil ainda n\u00e3o conseguiu produzir ganhos de aprendizagem em escala. Seguimos com uma parcela muito elevada de estudantes abaixo dos n\u00edveis m\u00ednimos de profici\u00eancia, especialmente em matem\u00e1tica e leitura, e com desigualdades importantes de desempenho. \u00c9 preciso considerar tamb\u00e9m que esta \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que teve sua trajet\u00f3ria escolar diretamente impactada pela pandemia, com efeitos sobre a aprendizagem que n\u00e3o desaparecem de um ano para outro&#8221;, argumenta Felipe Proto. Segundo ele, a recomposi\u00e7\u00e3o das aprendizagens continua sendo fundamental para garantir que nenhum estudante fique para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ampliar o dom\u00ednio b\u00e1sico em disciplinas como matem\u00e1tica, o pa\u00eds ainda precisa criar mais oportunidades para desenvolver o racioc\u00ednio mais sofisticado.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos ainda t\u00eam dificuldade em interpretar uma situa\u00e7\u00e3o, decidir com autonomia, qual o conhecimento matem\u00e1tico utilizar. Ao mesmo tempo, praticamente n\u00e3o temos estudantes nos n\u00edveis mais altos de profici\u00eancia. E isso \u00e9 um grande problema. \u00c9 um desafio nas duas extremidades&#8221;, observa Jalman Lima.<\/p>\n<h2>Desigualdades educacionais<\/h2>\n<p>Rodrigo Fulg\u00eancio, da Abraspe, tamb\u00e9m alerta para essa disparidade. Entre os principais gargalos, ele enfatiza, est\u00e3o o elevado percentual de estudantes abaixo do n\u00edvel b\u00e1sico, a presen\u00e7a muito pequena nos n\u00edveis mais altos de profici\u00eancia, a situa\u00e7\u00e3o especialmente cr\u00edtica em matem\u00e1tica e a forte desigualdade socioecon\u00f4mica. \u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Em ci\u00eancias, por exemplo, a diferen\u00e7a entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulner\u00e1veis chega a 96 pontos. Quase cinco vezes o aprendizado m\u00e9dio associado a um ano escolar, que \u00e9 de aproximadamente 20 pontos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O Pisa 2025 envolveu 760 mil estudantes de 91 pa\u00edses. O Brasil participou da pesquisa com 30.140 estudantes. O perfil dos participantes brasileiros avaliados foi composto por 72,4% de estudantes oriundos de escolas da rede estadual, sendo a quase totalidade (96,9%) delas localizada em \u00e1reas urbanas. Cerca de 84,7% estavam matriculados na 1\u00aa ou 2\u00aa s\u00e9rie do ensino m\u00e9dio na \u00e9poca das provas, aplicadas entre abril e maio de 2025. Nesta edi\u00e7\u00e3o, o foco foi o letramento dos alunos em ci\u00eancias, com o maior n\u00famero de itens aplicados.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Mais do que a posi\u00e7\u00e3o relativa do pa\u00eds no ranking, o Pisa refor\u00e7a a urg\u00eancia de transformar a melhoria da aprendizagem em prioridade nacional, com foco em garantir que todos os estudantes desenvolvam as compet\u00eancias essenciais para a vida, o trabalho e a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 no s\u00e9culo XXI&#8221;, refor\u00e7a Felipe Proto, da Funda\u00e7\u00e3o Lemann .<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Tecnologia em sala de aula<\/h2>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do Pisa em 2025, os estudantes tamb\u00e9m respondem a question\u00e1rios contextuais, incluindo o uso de celulares em sala de aula. O resultado mostrou que 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam escolas com restri\u00e7\u00f5es ao uso desses dispositivos. Em 2022, eram 37%. A propor\u00e7\u00e3o brasileira supera amplamente a m\u00e9dia da OCDE (49%). Segundo o MEC, o percentual medido est\u00e1 alinhado \u00e0s evid\u00eancias de que estudantes em escolas com esse tipo de regra apresentam menor probabilidade de relatar distra\u00e7\u00f5es digitais.<\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia, por exemplo, da chamada &#8220;leitura apressada&#8221;, que \u00e9 quando o estudante l\u00ea rapidamente, mas de maneira imprecisa, quase dobrou entre 2018 e 2025. A OCDE tamb\u00e9m identificou fragilidades crescentes na capacidade de avaliar informa\u00e7\u00f5es, relacionar diferentes fontes e pensar criticamente sobre o que se l\u00ea. Al\u00e9m disso, 28% dos estudantes disseram que os colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de Ci\u00eancias, e 46% j\u00e1 utilizam Intelig\u00eancia Artificial (IA) semanalmente ou mais para estudar.<\/p>\n<p>Segundo Rodrigo Fulg\u00eancio, diante desse cen\u00e1rio, cabe refletir\u00a0se os estudantes e suas formas de aprender mudaram mais rapidamente do que as pr\u00e1ticas escolares conseguiram acompanhar. &#8220;O grande alerta do Pisa 2025 talvez seja exatamente esse: ampliar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 tecnologia n\u00e3o garantiu maior aprendizagem. O desafio atual \u00e9 ajudar os estudantes a sustentar a aten\u00e7\u00e3o, ler com profundidade, avaliar informa\u00e7\u00f5es, construir racioc\u00ednios e utilizar a tecnologia para ampliar, e n\u00e3o substituir, o pensamento&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A redu\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia entre o desempenho dos estudantes brasileiros e a m\u00e9dia dos alunos de pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) no Pisa 2025 n\u00e3o significa, necessariamente, que o Brasil tenha avan\u00e7ado em aprendizagem. 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