{"id":46179,"date":"2026-09-07T08:17:52","date_gmt":"2026-09-07T11:17:52","guid":{"rendered":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=46179"},"modified":"2026-09-07T08:17:52","modified_gmt":"2026-09-07T11:17:52","slug":"radio-nacional-ha-90-anos-acontecia-a-primeira-transmissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=46179","title":{"rendered":"R\u00e1dio Nacional: h\u00e1 90 anos acontecia a primeira transmiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em setembro de 1936, h\u00e1 exatos 90 anos,<strong> a PRE-8,<\/strong> a<strong> R\u00e1dio Nacional<\/strong> do Rio de Janeiro<strong>,\u00a0fazia sua estreia pelas ondas do r\u00e1dio.<\/strong> Pra contar essa hist\u00f3ria, a gente precisa voltar ao Rio de Janeiro dos anos 1930, quando o r\u00e1dio come\u00e7ava a ganhar cada vez mais espa\u00e7o na vida dos brasileiros.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1701684&#038;o=rss\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1701684&#038;o=rss\"><\/p>\n<p>E a Hist\u00f3ria da R\u00e1dio Nacional, curiosamente, come\u00e7a \u00e0 noite e ao luar.\u00a0\u201cLuar do Sert\u00e3o\u201d, de Catulo da Paix\u00e3o Cearense e Jo\u00e3o Pernambuco, se tornaria, anos mais tarde, o prefixo musical oficial da R\u00e1dio Nacional. Mas, nesta hist\u00f3ria, \u201c<strong>A Noite<\/strong>\u201d\u00a0\u00a0tem outro significado: era o nome de um jornal que circulava no Rio de Janeiro, a ent\u00e3o capital do Brasil. O jornal tamb\u00e9m era conhecido pelo pr\u00e9dio de 22 andares no centro da cidade, considerado o primeiro arranha-c\u00e9u da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos de 1930, o grupo A Noite enfretava dificuldades financeiras e diverg\u00eancias com o governo de Get\u00falio Vargas. Em 1931, o grupo A Noite foi vendido \u00e0 Companhia Estrada de Ferro S\u00e3o Paulo-Rio Grande.\u00a0Entre os bens adquiridos pela empresa estava uma concess\u00e3o de r\u00e1dio. Naquele momento, o r\u00e1dio come\u00e7ava a conquistar um p\u00fablico cada vez maior. \u00c9 o que explica a historiadora Lia Calabre.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;O Brasil dos anos 30 era um pa\u00eds com uma faixa de analfabetismo que girava em torno de\u00a070%. Ainda que os joornais escritos fosse disribu\u00eddos pelo pa\u00eds inteiro, o limite da informa\u00e7\u00e3o estava na capacidade de ler. O r\u00e1dio vai ser ouvido por qualquer pessoa, de qualquer classe social, em qualquer lugar&#8221;.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em 1933, o projeto de investir no r\u00e1dio saiu do papel, nascia a <strong>Sociedade Civil Brasileira R\u00e1dio Nacional<\/strong>.Tr\u00eas anos depois, o grupo comprou um transmissor de 20 quilowatts, que havia pertencido \u00e0 extinta R\u00e1dio Philips. A ideia era disputar o topo do mercado radiof\u00f4nico. Para isso, a PRE-8 reuniu grandes nomes da m\u00fasica e do r\u00e1dio, como <strong>Orlando Silva, Aracy de Almeida, Celso Guimar\u00e3es, Ism\u00eania dos Santos, Oduvaldo Cozzi e Radam\u00e9s Gnattali<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas ainda faltava o mais importante: os <strong>ouvintes<\/strong>. Para chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, uma chuva de panfletos caiu sobre o Rio de Janeiro. Eles eram lan\u00e7ados de um avi\u00e3o que sobrevoava a cidade para anunciar a chegada da nova emissora.\u00a0<\/p>\n<p>Nas ondas da R\u00e1dio Nacional, m\u00fasica, esporte, publicidade e as vozes que marcaram a \u00e9poca passaram a chegar cada vez mais longe. Mas o come\u00e7o n\u00e3o foi f\u00e1cil. O ex-diretor da R\u00e1dio Nacional, Osmar Fraz\u00e3o, lembra das dificuldades enfrentadas nos primeiros anos.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Foram contratados os primeiros cantores, Orlando Silva, Nuno Roland&#8230; Mas tr\u00eas meses depois os cantores foram\u00a0 embora. Porque os transmissores que a R\u00e1dio nacional tinha n\u00e3o iam a lugar algum. N\u00e3o chegava na\u00a0Zona Sul. Como voc\u00ea ia tentar vender um comercial se o som n\u00e3o chegava em determinados lugares importantes?&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O alcance da R\u00e1dio Nacional come\u00e7ou a mudar a partir de 1940, naquele ano, Get\u00falio Vargas incorporou a emissora e as demais empresas do grupo A Noite ao patrim\u00f4nio da Uni\u00e3o. A professora Izani Mustafa explica o processo.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Na verdade, h\u00e1 uma d\u00edvida da empresa que cuidava da\u00a0Nacional com o governo federal. E Get\u00falio VArgas j\u00e1 num pensamento que existia em outros pa\u00edses sobre o uso do r\u00e1dio, percebe que ele pode ter a propriedade de uma r\u00e1dio&#8221;.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3>Fen\u00f4meno de audi\u00eancia<\/h3>\n<p>Com a encampa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o processo que incorporou a R\u00e1dio Nacional \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do governo federal, o empres\u00e1rio Gilberto de Andrade passou a administrar a R\u00e1dio Nacional e promoveu mudan\u00e7as que seriam fundamentais para transformar a emissora em um fen\u00f4meno de audi\u00eancia.<\/p>\n<p>O elenco foi ampliado, foram criados mecanismos para medir a audi\u00eancia e a r\u00e1dio passou a investir nas transmiss\u00f5es de ondas curtas.\u00a0A programa\u00e7\u00e3o\u00a0podia assim chegar a outros continentes. Em 1942, cinco antenas transmissoras permitiram levar o sinal para praticamente todo o Brasil e\u00a0tamb\u00e9m para pa\u00edses da Am\u00e9rica, Europa, \u00c1frica e \u00c1sia, consolidando a R\u00e1dio N\u00e1cional entre as maiores emissoras do mundo.<\/p>\n<p>No mesmo ano, os est\u00fadios passaram por reformas e foi criado um audit\u00f3rio com quase 500 lugares. Ali, o p\u00fablico acompanhava concursos, apresenta\u00e7\u00f5es musicais e show de calouros.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=268026:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/SalZQrUezhELXIY0qtwYn-Wa0-c=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/r0665_neuza_e_auditorio._paulo_gracindo.jpg?itok=yb9vj-tW\" alt=\"Audit\u00f3rio R\u00e1dio Nacional.\" title=\"Acervo EBC \/ Direitos Reservados\"><br \/>\n        <noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/SalZQrUezhELXIY0qtwYn-Wa0-c=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/r0665_neuza_e_auditorio._paulo_gracindo.jpg?itok=yb9vj-tW\" alt=\"Audit\u00f3rio R\u00e1dio Nacional.\" title=\"Acervo EBC \/ Direitos Reservados\"><\/noscript><br \/>\n    <!-- END scald=268026 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Paulo Gracindo e o p\u00fablico no Audit\u00f3rio R\u00e1dio Nacional. Foto:\u00a0Acervo EBC \/ Direitos Reservados<!--END copyright=268026--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Desde 1938, com o radialista\u00a0Almirante, a R\u00e1dio Nacional j\u00e1 produzia programas de grande sucesso e criava novas formas de intera\u00e7\u00e3o com os ouvintes. Com os audit\u00f3rios, essa rela\u00e7\u00e3o ficou ainda mais forte. Programas de C\u00e9sar de Alencar, Paulo Gracindo e o Show dos Calouros levaram multid\u00f5es ao pr\u00e9dio de A Noite.\u00a0 E a variedade dessas atra\u00e7\u00f5es impressionava, \u00e9 o que conta o historiador Luiz Antonio Simas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Voc\u00ea\u00a0tinha desde show musicial, at\u00e9 concurso,\u00a0daqui a pouco voc\u00ea resolvia sortear pr\u00eamio em conv\u00eanio com loja e a\u00ed voc\u00ea come\u00e7a a ter um neg\u00f3cio que funcionou maravilhosamente\u00a0 bem que foi o show dos\u00a0calouros. Ent\u00e3o tinha gente que ia para assisitr os calouros, se comovia e o\u00a0\u00a0neg\u00f3cio cresceu tanto que chegou um momento que\u00a0R\u00e1dio Nacional n\u00e3o tinha mais nem condi\u00e7\u00e3o de abrir o audit\u00f3rio para que as pessoas assistissem.&#8221;\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E havia uma caracter\u00edstica importante na programa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Nacional: nem todo programa precisava dar lucro para continuar no ar. Paulo Tapaj\u00f3s explica.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Jamais a R\u00e1dio Nacional se preocupou com o fato de que um programa tal dava lucro e outro dava preju\u00edzo. Se ela fosse fazer isso, n\u00e3o poderia ter nunca uma orquestra sinf\u00f4nica como teve.\u00a0 Para qu\u00ea ter 120 m\u00fasicos numa orquestara sinf\u00f4nica para ir ao\u00a0ar um som s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 verdade? N\u00e3o\u00a0interessava se um artista era caro ou barato, desde que aquilo coubesse na receita da R\u00e1dio.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Essa foi uma das chaves para o sucesso da R\u00e1dio Nacional, uma emissora que apostou na m\u00fasica, mas tamb\u00e9m na com\u00e9dia, na radiodramaturgia e no esporte. E essa hist\u00f3ria est\u00e1 s\u00f3 come\u00e7ando. Mas isso \u00e9 papo para o pr\u00f3ximo epis\u00f3dio<\/p>\n<h5>* Com colabora\u00e7\u00e3o de Guilherme Strozi e Raquel J\u00fania, supervis\u00e3o de Bel Pereira e sonoplastia de Jailton Sodr\u00e9.<\/h5>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>  <span class=\"hms hms-format-m-ss\">7:17<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em setembro de 1936, h\u00e1 exatos 90 anos, a PRE-8, a R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro,\u00a0fazia sua estreia pelas ondas do r\u00e1dio. 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