{"id":43488,"date":"2026-07-31T20:17:22","date_gmt":"2026-07-31T23:17:22","guid":{"rendered":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=43488"},"modified":"2026-07-31T20:17:22","modified_gmt":"2026-07-31T23:17:22","slug":"chao-de-memoria-rua-do-samba-homenageia-berco-do-genero-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=43488","title":{"rendered":"\u201cCh\u00e3o de mem\u00f3ria\u201d, Rua do Samba homenageia ber\u00e7o do g\u00eanero em SP"},"content":{"rendered":"<p><strong>Em S\u00e3o Paulo, a antiga rua Jo\u00e3o de Barros foi renomeada e, agora, se chama oficialmente Rua do Samba<\/strong>, em homenagem \u00e0 mem\u00f3ria e hist\u00f3ria do samba no bairro da Barra Funda, um dos ber\u00e7os do g\u00eanero na capital paulista.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1698305&#038;o=rss\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1698305&#038;o=rss\"><\/p>\n<p>Rebatizada como \u201cRua do Samba\u201d, a via de apenas uma quadra \u00e9 o endere\u00e7o de rodas de samba desde a d\u00e9cada de 1980, quando Carlos Alberto Tobias organizava eventos na rua com sambistas. <strong>Mas o nome na placa representa mais do que o reconhecimento do g\u00eanero musical: \u00e9 tamb\u00e9m um resgate da mem\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra no bairro da Barra Funda<\/strong>. Como a fam\u00edlia da cantora e compositora Simone Tobias, filha de Carlos Alberto e neta de seu Inoc\u00eancio, que reorganizou um antigo grupo carnavalesco em 1953, que depois se tornou a Escola Camisa Verde e Branco.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEm 1914, seu Dion\u00edsio Barbosa, que era tio da minha av\u00f3 paterna, funda o grupo carnavalesco Barra Funda. 53, 52 meu av\u00f4 come\u00e7a esse movimento para chamar algumas pessoas para fazer parte de um novo cord\u00e3o e utiliza as cores prim\u00e1rias do grupo Barra Funda para homenagear seu Dion\u00edsio. Ele usa o apelido Camisas Verdes, mas insere o branco para que n\u00e3o fosse mais confundido com os integralistas, que n\u00e3o tivesse tanta repress\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 \u00e9poca\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image atom-align-center\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=470390:cheio_8colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ibLNyP51n5eXmtDjHh8-ixhjFqs=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/30\/_int8223-2.jpg?itok=ZR2Yje91\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP)-31\/07\/2026 . Rua do Samba , recebe placa e era oficialmente batizada no bairro da Barra Funda.\nFoto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\"><br \/>\n        <noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ibLNyP51n5eXmtDjHh8-ixhjFqs=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/30\/_int8223-2.jpg?itok=ZR2Yje91\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP)-31\/07\/2026 . Rua do Samba , recebe placa e era oficialmente batizada no bairro da Barra Funda.\nFoto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\"><\/noscript><br \/>\n    <!-- END scald=470390 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h5 class=\"meta\"><!--copyright=470390-->S\u00e3o Paulo (SP)-31\/07\/2026 . Rua do Samba , recebe placa e era oficialmente batizada no bairro da Barra Funda. Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<!--END copyright=470390--><\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os ensaios aconteciam em frente \u00e0 casa da fam\u00edlia Tobias, um por\u00e3o em um antigo corti\u00e7o que n\u00e3o existe mais. Simone conta que o senso de comunidade e pertencimento foi afetado pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria ainda no final da d\u00e9cada de 70, empurrando os moradores para longe.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cMesmo a minha fam\u00edlia, que na d\u00e9cada de 80 n\u00f3s fomos morar na periferia da Zona Norte, ficava \u00e9 invi\u00e1vel entender essa loucura e essa higieniza\u00e7\u00e3o, novamente feita para que a negritude fosse colocada nas periferias da cidade\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3>Cartografias de bambas\u00a0<\/h3>\n<p>Em busca da valoriza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria negra do samba no bairro antes que a gentrifica\u00e7\u00e3o apague sua hist\u00f3ria, surgiu o projeto Cartografias de Bambas, coordenado por Nath\u00e1lia Oliveira. Ela ressalta que o movimento diz mais sobre o pertencimento a um territ\u00f3rio do que apenas \u00e0 musicalidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO samba, entendido apenas como um som, \u00e9 esvaziado totalmente de sentido, a constru\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria. Quando a gente reconhece um bairro que est\u00e1 cada vez mais embranquecendo e apagando o legado e a presen\u00e7a de pessoas negras no territ\u00f3rio, o reconhecimento da volta do samba, \u00e9 um momento em que a gente tamb\u00e9m tem que provocar uma discuss\u00e3o na cidade sobre como as pessoas negras permanecem no seu lugar de mem\u00f3ria constru\u00edda pelos seus antepassados\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Uma dessas iniciativas \u00e9 o Festival Cartografias de Bambas, que re\u00fane mensalmente sambistas e coletivos culturais na Rua do Samba. Nath\u00e1lia Oliveira conta que o evento busca reconectar as pessoas negras com o territ\u00f3rio.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO que a gente vem percebendo \u00e9 que cada vez mais vem pessoas negras de lugares diferentes da cidade, de v\u00e1rias idades. Ent\u00e3o, tem muita gente mais velha que j\u00e1 veio aqui e fala que volta a frequentar os nossos eventos, assim como a gente v\u00ea novas gera\u00e7\u00f5es de pessoas negras vindo e frequentando. A gente vai vendo como que o p\u00fablico cada vez mais vai enegrecendo\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Antes da Rua do Samba, um outro ponto j\u00e1 reconhecia a Barra Funda como ber\u00e7o do samba paulistano: o Largo da Banana, onde estivadores negros se reuniam no final do s\u00e9culo XIX para cantar e tocar o que daria origem ao samba na cidade. No local, foi constru\u00eddo um viaduto na d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p>No \u201cManifesto Rua do Samba da Barra Funda\u201d, o projeto Cartografias de Bambas refor\u00e7a que mem\u00f3ria tamb\u00e9m \u00e9 pol\u00edtica p\u00fablica. E que a Rua do Samba siga sendo \u201cpatrim\u00f4nio vivo, ch\u00e3o de mem\u00f3ria e encruzilhada de futuros\u201d.<\/p>\n<p>  <span class=\"hms hms-format-m-ss\">4:39<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em S\u00e3o Paulo, a antiga rua Jo\u00e3o de Barros foi renomeada e, agora, se chama oficialmente Rua do Samba, em homenagem \u00e0 mem\u00f3ria e hist\u00f3ria do samba no bairro da Barra Funda, um dos ber\u00e7os do g\u00eanero na capital paulista. 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