{"id":42130,"date":"2026-07-11T10:18:26","date_gmt":"2026-07-11T13:18:26","guid":{"rendered":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=42130"},"modified":"2026-07-11T10:18:26","modified_gmt":"2026-07-11T13:18:26","slug":"entenda-o-papel-das-escolas-no-combate-a-violencia-contra-meninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=42130","title":{"rendered":"Entenda o papel das escolas no combate \u00e0 viol\u00eancia contra meninas"},"content":{"rendered":"<p>O Col\u00e9gio Cruzeiro, escola de elite do Rio de Janeiro, acionou a Pol\u00edcia Civil por conta de lista de cunho sexual com nomes de estudantes, todas adolescentes, feita em plataforma <em>online<\/em>.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1696501&#038;o=rss\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1696501&#038;o=rss\"><\/p>\n<p>A lista expunha, constrangia e humilhava as meninas. O caso extrapolou os muros da escola e teve grande repercuss\u00e3o. <strong>A investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 em andamento na Delegacia da Crian\u00e7a e do Adolescente V\u00edtima (DCAV) que, segundo a Pol\u00edcia Civil, realiza todas as dilig\u00eancias para apurar os fatos.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A<strong> Ag\u00eancia Brasil <\/strong>conversou com especialistas sobre o papel da escola e das fam\u00edlias em casos como este, em que adolescentes s\u00e3o respons\u00e1veis por agress\u00f5es e viol\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Segundo a professora da faculdade de educa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Telma Vinha, a escola \u00e9 um espa\u00e7o de aprendizagem. A situa\u00e7\u00e3o mostra a necessidade de um trabalho constante de discutir e conscientizar os estudantes.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cUma situa\u00e7\u00e3o como essa tem muitas camadas e essas camadas devem ser trabalhadas como preven\u00e7\u00e3o, de uma maneira muito mais sistematizada e cont\u00ednua\u201d, defende. \u201cA fun\u00e7\u00e3o da escola \u00e9 que os problemas, as viol\u00eancias, os conflitos, eles podem ser oportunidades de aprender a viver socialmente\u201d, acrescenta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>A professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Denise Carreira, ressalta que al\u00e9m do papel pedag\u00f3gico, cabe a escola acionar os \u00f3rg\u00e3os competentes nos casos de atos infracionais cometidos por crian\u00e7as e adolescentes com menos de 18 anos.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO papel priorit\u00e1rio da escola \u00e9 pedag\u00f3gico, mas a nossa legisla\u00e7\u00e3o, o ECA [Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente] coloca a import\u00e2ncia da escola identificar as situa\u00e7\u00f5es, acolher as v\u00edtimas e notificar tamb\u00e9m o conselho tutelar e a rede de prote\u00e7\u00e3o para justamente buscar formas de atua\u00e7\u00e3o nessas situa\u00e7\u00f5es\u201d, diz. \u201cA nossa legisla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, inclusive, o ECA, reconhece que os adolescentes tamb\u00e9m podem ser sujeitos de atos infracionais\u201d.<\/p>\n<h2>O que pode ser feito?<\/h2>\n<p>De acordo com Vinha, o foco da interven\u00e7\u00e3o da escola, em casos como este, \u00e9 colocar a v\u00edtima em primeiro lugar. \u201cA viol\u00eancia, voc\u00ea n\u00e3o pode minimizar ou justificar, mas o que voc\u00ea pode fazer \u00e9 trabalhar a gravidade, os impactos daquilo\u201d.<\/p>\n<p>Um aspecto importante, segundo a professora \u00e9 a escuta cuidadosa de cada uma das v\u00edtimas. <strong>\u201cTem que ser aquela escuta cuidadosa no sentido que deixa muito claro que ela n\u00e3o tem responsabilidade nisso. Deixa muito claro que a escola, que a fam\u00edlia vai proteg\u00ea-la de novas exposi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, \u00e9 justamente falar sobre ela, como ela se sente. Que que ela gostaria que fosse feito\u201d.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>E alerta: \u201cTem que tomar muito cuidado para essa escuta n\u00e3o virar interrogat\u00f3rio ou curiosidade que a gente tem. E essa escuta ajuda inclusive a orientar a escola nos pr\u00f3ximos passos com os autores\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos autores, uma das recomenda\u00e7\u00f5es \u00e9 uma conversa individual, j\u00e1 que muitas vezes o comportamento em grupo que leva a infra\u00e7\u00f5es como as praticadas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA nossa quest\u00e3o \u00e9 o que os envolvidos t\u00eam que aprender sobre isso\u201d, diz. \u201cPode-se trabalhar com eles formas de restaura\u00e7\u00e3o, ou seja, que conhecimentos eles precisam ter para saber a gravidade do que eles fizeram\u201d, diz Vinha.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Educa\u00e7\u00e3o e g\u00eanero<\/h2>\n<p>Carreira destaca a import\u00e2ncia de escolas discutirem quest\u00f5es que envolvam assimetrias de g\u00eanero, o que contribui para o combate a viol\u00eancia contra mulheres e contra pessoas LGBT.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cN\u00e3o tem como a gente avan\u00e7ar no enfrentamento da viol\u00eancia contra meninas, mulheres, popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ sem a gente fazer essa conversa s\u00e9ria nas escolas\u201d, diz.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo ela, um ponto central \u00e9 discutir as masculinidades, para que os pr\u00f3prios meninos tenham uma compreens\u00e3o do papel que exercem na sociedade e possam construir rela\u00e7\u00f5es mais igualit\u00e1rias.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA masculinidade t\u00f3xica ou hegem\u00f4nica, que \u00e9 essa masculinidade que tamb\u00e9m leva muitos meninos ao sofrimento e est\u00e1 muito ancorada em perspectivas de domina\u00e7\u00e3o, de desqualifica\u00e7\u00e3o do feminino, n\u00e3o reconhecimento das pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es\u201d, diz.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cN\u00f3s precisamos conseguir desmontar e conversar sobre isso nas escolas por meio de rodas de conversa, por meio de projetos, atuando na forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m dos profissionais de educa\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 fundamental pra gente inclusive enfrentar o feminic\u00eddio\u201d, defende Carreira.<\/p>\n<p>A professora foi relatora do Grupo de Trabalho T\u00e9cnico que elaborou a\u00a0proposta de <a href=\"https:\/\/www4.fe.usp.br\/docente-feusp-denise-carreira-apresenta-proposta-ao-ministerio-da-educacao\" target=\"_blank\">Pol\u00edtica Nacional de Educa\u00e7\u00e3o para a Igualdade de G\u00eanero, Diversidade Sexual e Educa\u00e7\u00e3o Integral<\/a> em Sexualidade, em perspectiva interseccional.\u00a0<\/p>\n<p>Participou tamb\u00e9m da elabora\u00e7\u00e3o do material educativo para escolas <a href=\"https:\/\/acaoeducativa.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Indicadores-da-Qualidade-na-Educacao-Genero-raca-e-sexualidade-na-escola.pdf\" target=\"_blank\">Indicadores de Qualidade na Educa\u00e7\u00e3o: g\u00eanero, ra\u00e7a e sexualidade na escola<\/a>, produzido por A\u00e7\u00e3o Educativa e Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP, com apoio do Fundo Malala.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Carreira destaca ainda que a lei Maria da Penha estabelece que as escolas devem debater g\u00eanero e ra\u00e7a como forma de enfrentar o fen\u00f4meno da viol\u00eancia contra meninas e mulheres. <strong>\u201cA lei foi expandida tamb\u00e9m para se pensar a agenda LGBTQIA+, ent\u00e3o, \u00e9 importante dizer que esse silenciamento, ele acaba comprometendo e ceifando vidas. Prejudicando vidas n\u00e3o s\u00f3 de meninas, mulheres, popula\u00e7\u00e3o LGBT, mas dos pr\u00f3prios meninos. Muitos meninos sofrem viol\u00eancia por n\u00e3o performarem essa masculinidade hegem\u00f4nica e para os que a performam tamb\u00e9m acarreta muito sofrimento\u201d.\u00a0<\/strong><\/p>\n<h2>Col\u00e9gio Cruzeiro<\/h2>\n<p>Em nota, o Col\u00e9gio Cruzeiro diz que o bem-estar e a seguran\u00e7a dos alunos \u201cs\u00e3o prioridades absolutas\u201d\u00a0e que repudia \u201cqualquer atitude de exposi\u00e7\u00e3o que os afetem\u201d. Quanto \u00e0 autoria e puni\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito penal, a escola afirma que as autoridades competentes est\u00e3o cumprindo o seu papel investigativo.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cAssim que tomamos conhecimento dos fatos, acionamos as autoridades por meio de boletim de ocorr\u00eancia, exigimos a remo\u00e7\u00e3o do conte\u00fado junto \u00e0 plataforma \u2014 o que j\u00e1 foi feito \u2014, alertamos as fam\u00edlias e iniciamos o apoio integral \u00e0s alunas e suas fam\u00edlias\u201d, informou a escola.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A nota acrescenta: <strong>\u201cEntendemos que o papel da escola vai al\u00e9m do ensino acad\u00eamico, incluindo a forma\u00e7\u00e3o integral do ser humano. A conduta \u00e9tica e a responsabilidade digital s\u00e3o temas recorrentes da sociedade contempor\u00e2nea. Por isso, oferecemos constantemente a nossos 3 mil alunos, campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o com palestras de ju\u00edzes, psic\u00f3logos, especialistas em tecnologia, delegados, entre outros\u201d.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A escola afirma ainda que a postura reflete a tradi\u00e7\u00e3o e os valores de uma institui\u00e7\u00e3o que, ao longo de seus 164 anos, formou gera\u00e7\u00f5es pautadas pelo respeito e pelo desenvolvimento humano integral. \u201cCom base nos princ\u00edpios e valores educacionais, a escola permanece atenta \u00e0s medidas pedag\u00f3gicas que lhe cabem para o zelo e preserva\u00e7\u00e3o do ambiente formativo\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Col\u00e9gio Cruzeiro, escola de elite do Rio de Janeiro, acionou a Pol\u00edcia Civil por conta de lista de cunho sexual com nomes de estudantes, todas adolescentes, feita em plataforma online. A lista expunha, constrangia e humilhava as meninas. 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