{"id":40190,"date":"2026-06-17T09:30:41","date_gmt":"2026-06-17T12:30:41","guid":{"rendered":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=40190"},"modified":"2026-06-17T09:30:41","modified_gmt":"2026-06-17T12:30:41","slug":"coluna-da-hora-por-agatha-mesquita-mes-dos-namorados-em-tempos-modernos-entre-liberdade-e-novas-formas-de-amar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colunadahora.com.br\/?p=40190","title":{"rendered":"COLUNA DA HORA, POR AGATHA MESQUITA &#8211; M\u00eas dos Namorados em Tempos Modernos: Entre Liberdade e Novas Formas de Amar"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-40191\" src=\"https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/relax2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"461\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/relax2-300x200.jpg 300w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/relax2-219x146.jpg 219w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/relax2-600x400.jpg 600w, https:\/\/colunadahora.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/relax2.jpg 678w\" sizes=\"(max-width: 461px) 100vw, 461px\" \/><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por AGATHA MESQUITA*<\/strong><\/p>\n<p>O amor sempre encontrou formas de atravessar o tempo. No decorrer da hist\u00f3ria, ele esteve presente nas cartas escritas \u00e0 m\u00e3o, nos encontros marcados, nas m\u00fasicas dedicadas em segredo, cada linguagem sendo expressa \u00e0 sua forma. Neste M\u00eas dos Namorados, milh\u00f5es de pessoas celebraram esse sentimento que continua inspirando promessas, sonhos compartilhados e a esperan\u00e7a, para alguns, de encontrar algu\u00e9m com quem dividir o tempo e o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas, embora o amor permane\u00e7a sendo um dos sentimentos mais universais da experi\u00eancia humana, a maneira de se relacionar tem mudado significativamente. Em uma sociedade cada vez mais conectada, onde sentimentos, desejos e experi\u00eancias s\u00e3o discutidos e expostos abertamente, os relacionamentos contempor\u00e2neos se tornaram mais complexos, diversos e, muitas vezes, desafiadores. Entre aqueles que carregam as marcas de decep\u00e7\u00f5es passadas e os que se entregam intensamente a novas paix\u00f5es, surgem questionamentos sobre compromisso, liberdade, exclusividade e as diferentes formas de construir v\u00ednculos afetivos.<\/p>\n<p>Se antes falar sobre sexualidade, desejo e modelos de relacionamento era considerado um tabu, hoje o assunto ocupa espa\u00e7o em debates p\u00fablicos, produ\u00e7\u00f5es culturais e pesquisas acad\u00eamicas. A mudan\u00e7a acompanha uma sociedade que se tornou mais aberta para discutir sentimentos, limites emocionais e expectativas afetivas.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, muitas pessoas parecem oscilar entre dois extremos: de um lado, aquelas que carregam experi\u00eancias traum\u00e1ticas, decep\u00e7\u00f5es amorosas e receios que dificultam a constru\u00e7\u00e3o de novos v\u00ednculos; de outro, pessoas que mergulham intensamente em rela\u00e7\u00f5es recentes, projetando rapidamente planos a longo prazo. O que antes era visto como uma trajet\u00f3ria previs\u00edvel para o amor tornou-se um terreno de m\u00faltiplas possibilidades.<\/p>\n<p>Parte dessa transforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada ao protagonismo crescente das mulheres na constru\u00e7\u00e3o de suas rela\u00e7\u00f5es afetivas. Mais independentes financeira e emocionalmente, elas demonstram cada vez mais clareza sobre aquilo que desejam \u2014 e, principalmente, sobre aquilo que n\u00e3o est\u00e3o mais dispostas a aceitar. Rela\u00e7\u00f5es marcadas por desigualdade emocional, falta de respeito, aus\u00eancia de reciprocidade ou sobrecarga afetiva passaram a ser questionadas com mais frequ\u00eancia, e menos toleradas.<\/p>\n<p>Estudos apontam que essa mudan\u00e7a tamb\u00e9m est\u00e1 ligada \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o chamado &#8220;trabalho emocional&#8221; dentro dos relacionamentos, ou seja, a responsabilidade de administrar conflitos, acolher emo\u00e7\u00f5es e sustentar a din\u00e2mica afetiva do casal, tarefa que historicamente recaiu de forma desproporcional sobre as mulheres.<\/p>\n<h2><strong>Monogamia, N\u00e3o Monogamia e Poliamor: entendendo as diferen\u00e7as<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os debates sobre relacionamentos se ampliam, modelos afetivos antes pouco conhecidos passaram a ganhar maior visibilidade.<\/p>\n<p>A monogamia continua sendo o modelo padr\u00e3o e predominante na sociedade em que vivemos. Nela, duas pessoas estabelecem um compromisso afetivo e sexual exclusivo, construindo uma rela\u00e7\u00e3o baseada na reciprocidade e na exclusividade rom\u00e2ntica. O chamado \u201cNormal\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a n\u00e3o-monogamia consensual funciona de maneira diferente. Trata-se de um modelo em que todos os envolvidos concordam, de forma transparente e consciente, que uma ou mais pessoas possam desenvolver v\u00ednculos afetivos ou sexuais com terceiros. O elemento central \u00e9 o consentimento, o di\u00e1logo e a defini\u00e7\u00e3o clara de limites entre as partes. Estudos e debates sobre o tema levantam a quest\u00e3o de que esse formato difere completamente da t\u00e3o temida infidelidade, uma vez que, h\u00e1 transpar\u00eancia e espera-se respeito nos acordos entre os envolvidos.<\/p>\n<p>Ainda dentro desse universo da n\u00e3o-monogamia existe o poliamor, uma modalidade espec\u00edfica da n\u00e3o monogamia. No poliamor, uma pessoa pode manter simultaneamente mais de uma rela\u00e7\u00e3o amorosa, desde que todos os participantes tenham consci\u00eancia e concordem com a din\u00e2mica estabelecida. Diferentemente dos relacionamentos abertos focados apenas em experi\u00eancias sexuais externas, o poliamor admite a constru\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos v\u00ednculos afetivos e profundos.<\/p>\n<p>Embora essas formas de se relacionar ainda causem estranhamento social, pesquisas recentes indicam que pessoas que praticam a n\u00e3o monogamia consensual podem apresentar n\u00edveis de satisfa\u00e7\u00e3o afetiva e sexual semelhantes aos observados em relacionamentos monog\u00e2micos. O fator determinante para a qualidade da rela\u00e7\u00e3o parece estar menos na estrutura escolhida e mais na comunica\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a e alinhamento de expectativas entre os envolvidos. Afinal, cabe a cada um saber o que lhe conv\u00e9m para o momento em que se est\u00e1 vivendo, desde que haja respeito e responsabilidade afetiva com a outra parte, ou outras partes envolvidas.<\/p>\n<h2><strong>Por que algumas pessoas est\u00e3o escolhendo novas formas de relacionamento?<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A psicologia comportamental, bem como alguns estudos sobre relacionamentos apontam que n\u00e3o existe uma explica\u00e7\u00e3o \u00fanica para esse fen\u00f4meno. As motiva\u00e7\u00f5es s\u00e3o diversas e envolvem aspectos individuais, sociais, culturais e por vezes, locais.<\/p>\n<p>Muitas pessoas que optam pela n\u00e3o monogamia relatam uma maior valoriza\u00e7\u00e3o da autonomia pessoal, da liberdade de escolha e da possibilidade de construir v\u00ednculos sem seguir modelos tradicionais considerados obrigat\u00f3rios pela sociedade. Em alguns ambientes mais tradicionais, ainda nos tempos de hoje, mulheres crescem sendo incentivadas a ter um bom casamento, ser boa gestora do lar e boa m\u00e3e, j\u00e1 a valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento e autonomia financeira ficam em segundo plano. \u00c9 poss\u00edvel perceber, por parte do p\u00fablico que adere a esta forma de se relacionar, que eles enxergam a entrega dessa afetividade como um recurso que n\u00e3o precisa ser limitado a apenas uma pessoa. Tamb\u00e9m aparecem fatores relacionados \u00e0 autenticidade, ao crescimento pessoal e \u00e0 busca por rela\u00e7\u00f5es que atendam diferentes necessidades emocionais ao longo da vida.<\/p>\n<p>Estudos mostram que muitos adeptos da n\u00e3o monogamia n\u00e3o escolhem esse modelo por insatisfa\u00e7\u00e3o com seus parceiros, mas porque acreditam que essa configura\u00e7\u00e3o corresponde melhor aos seus valores e \u00e0 forma como compreendem os relacionamentos, evitando assim padr\u00f5es negativos, normalizados e erroneamente romantizados nos relacionamentos monog\u00e2micos atuais como: mentiras, omiss\u00f5es, manipula\u00e7\u00f5es, trai\u00e7\u00f5es e afins.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, nenhum formato de relacionamento funciona como solu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica para problemas afetivos &#8211; se voc\u00ea n\u00e3o sabe lidar de forma respons\u00e1vel com as emo\u00e7\u00f5es de outra pessoa, ou outras pessoas. Seja na monogamia ou na n\u00e3o-monogamia, desafios como ci\u00fames, inseguran\u00e7a, comunica\u00e7\u00e3o falha e expectativas desalinhadas continuam existindo. O sucesso de qualquer rela\u00e7\u00e3o depende da maturidade emocional de seus participantes, da capacidade de estabelecer acordos claros e respeitosos e da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><strong>O amor continua sendo o ponto de encontro<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em meio a tantas mudan\u00e7as, talvez a maior transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja nas formas de relacionamento, mas na liberdade crescente de escolher como expressar tal amor.<\/p>\n<p>O amor contempor\u00e2neo j\u00e1 n\u00e3o cabe em defini\u00e7\u00f5es. Ele pode ser vivido atrav\u00e9s da monogamia tradicional, do poliamor, dos relacionamentos abertos ou de qualquer outra configura\u00e7\u00e3o constru\u00edda com honestidade, consentimento e respeito. Mais do que seguir modelos pr\u00e9-estabelecidos, as pessoas buscam rela\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am sentido para suas hist\u00f3rias, valores e expectativas.<\/p>\n<p>No Dia e no M\u00eas dos Namorados, talvez a reflex\u00e3o mais importante seja compreender que n\u00e3o existe uma f\u00f3rmula universal para a felicidade afetiva. Existem sentimentos, acordos e pessoas que est\u00e3o dispostas (ou n\u00e3o) a viver e dividir experi\u00eancias com algu\u00e9m especial.<\/p>\n<p>E, no fim das contas, toda forma de amor \u00e9 v\u00e1lida quando nasce do respeito, da sinceridade e do cuidado m\u00fatuo. Porque amar n\u00e3o \u00e9 apenas escolher algu\u00e9m \u2014 ou algumas pessoas \u2014 para compartilhar a vida. E sim, reconhecer a humanidade do outro, o universo que ele &#8211; ou ela- escolheu viver, acolher suas diferen\u00e7as e construir, juntos, um espa\u00e7o seguro onde todos possam existir de forma livre e verdadeira.<\/p>\n<p><strong>*A autora \u00e9 escritora de artigos sobre relacionamentos, mora em Porto Velho, e \u00e9 Servidora P\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por AGATHA MESQUITA* O amor sempre encontrou formas de atravessar o tempo. No decorrer da hist\u00f3ria, ele esteve presente nas cartas escritas \u00e0 m\u00e3o, nos encontros marcados, nas m\u00fasicas dedicadas em segredo, cada linguagem sendo expressa \u00e0 sua forma. 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