PORTAL COLUNADAHORA.COM.BR – O BRASIL QUER MUDAR POR FADIGA DE MATERIAL E PELOS PREÇOS DOS SUPERMERCADOS – JORNALISTA SILVIO PERSIVO

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É risível o argumento de que a eleição de Flávio Bolsonaro traria Hitler ou Mussolini ao governo, ou faria as coisas piorarem. O povo já sente as duas coisas na pele. Basta entrar no supermercado, voltar do trabalho para casa ou precisar do sistema de saúde para constatar que, nos últimos quatro anos, tudo piorou. Eu mesmo senti isto hoje. Não altero minha lista de compras: são os mesmos oito itens. Há 25 dias paguei R$ 132,14. Hoje, R$ 142,12. É um aumento de 7,6%. Para piorar, a carne suína Rainha, que custou R$ 21,60, parece bem menor do que era. Calculo que tenha perdido umas 180 gramas.

TEÓRICOS DE BOTEQUIM

Boa parte dos meus amigos vive na lógica esquerda contra direita. Fala em “contradições entre a classe trabalhadora e os patrões”, “coronelismo”, “classes dominantes”, “neoliberalismo” e outras baboseiras do gênero. Até na China os chineses riem de quem fala em comunismo. Eles chegaram aonde estão graças ao capitalismo.

Aqui, ninguém é mais de direita do que Lula da Silva. Ele faz discurso de esquerda, mas vive como a elite mais nababesca do planeta. Hoje, 82% das famílias brasileiras estão endividadas, contra 66% antes dele. O homem que diz governar para os pobres dobrou o pagamento de juros e pagará este ano R$ 1,18 trilhão aos rentistas. Diante disto, o que são as míseras bolsas-família? Ceará e Bahia comprovam: são uma forma de manter o poder, um verdadeiro neocolonialismo.

O que Lula pode oferecer de novo? Nada. Após tantos anos no poder, faz corridinhas para mostrar que está bem. Mas as corridinhas não impedem a disparada de 97,4% da população de rua em seu governo, que dobrou. Tudo está mais deteriorado. E o aumento exponencial das despesas e da dívida públicas mantém os juros reais mais altos do mundo. E os juros que dizia não poder baixar por conta do ex-presidente do Banco Central com toda diretoria nomeada por ele continua nas alturas. Sem controle das contas públicas não há milagre possível. Foi só Flávio ganhar no 1º turno para as bolsas dispararem e o dólar cair. A economia precificou o desgaste do governo.

QUEM NÃO VIRA VOTO

A resistência vem dos bolsões de empreendedorismo. O maior exemplo é Rondônia. Também vêm do Paraná, outro exemplo, e das pequenas cidades que vivem do agro, um setor moderno que sofre com os juros altos e com o aumento expressivo da carga tributária. São lugares de gente conservadora, honesta e religiosa, que quer melhorar de vida e ter perspectiva. Quer autonomia, liberdade, segurança e liberdade de expressão.

Na grande maioria, essas pessoas nem sequer são bolsonaristas. Mesmo assim, os petistas as tratam como “fascistas”, “incapazes mentais”, “gado” e “burras”. É arrogância intelectual de quem não olha para a realidade.

A MUDANÇA POSSÍVEL

Flávio Bolsonaro não é o novo por ter algo de excepcional. Talvez seja, como dizem, o mais insignificante dos Bolsonaros. Mas ele representa a mudança, por absoluta falta de outra opção. Não será nenhuma revolução. Dele se espera apenas que tire do caminho o que impede o Brasil de crescer.

A verdade é que o povo não se sente representado no quadro atual. O governo chegou à fadiga de material, e quanto mais Lula fala, mais distante parece de uma virada. Ninguém quer abrir mão de internet, celular e ter um único cartão de crédito.

Para muitos, é a única forma de chegar comendo ao fim do mês. E como o governo dói na parte mais sensível do corpo humano a virada somente será possível por meio da fraude. Até mesmo se isto acontecer não será, desta vez, sem um aumento enorme da insatisfação. Com a fadiga do material cada vez mais patente o risco de uma ruptura irá aumentar muito. E, neste caso, os vendedores do medo terão cumpridas suas profecias.

JORNALISTA SILVIO PERSIVO

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