
Entidade alerta para possível impacto sobre a safra 2026/2027, abastecimento de água, incêndios e navegação no Rio Madeira e cobra plano integrado do Governo do Estado.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Rondônia (Aprosoja RO) pediu ao Governo do Estado a adoção imediata de medidas preventivas para reduzir os possíveis impactos do El Niño 2026/2027 sobre a produção agropecuária, o abastecimento de comunidades e a navegação no Rio Madeira.
O alerta ganhou força após a NOAA apontar, em agosto, o fortalecimento do fenômeno e elevada probabilidade de um evento de forte intensidade entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. O Painel El Niño do Governo Federal também confirmou a ocorrência e chamou atenção para a possibilidade de temperaturas acima da média e irregularidade das chuvas em parte do Centro-Norte brasileiro.
Em Rondônia, os sinais já preocupam o setor produtivo. Dados do Monitor de Secas da ANA, referentes a julho, indicaram que a área afetada pela seca passou de 59% para 63% do território estadual, sendo que 24% do Estado apresentava classificação de seca moderada.
RISCO PARA A SAFRA
Para os produtores, o principal temor está na irregularidade das chuvas durante a implantação da safra 2026/2027. A falta de umidade adequada pode provocar falhas na germinação, redução do estande e necessidade de replantio.
O problema pode se agravar nas fases reprodutivas das lavouras, comprometendo a formação e o enchimento dos grãos. No caso da soja, eventual atraso no ciclo também pode reduzir a janela de plantio do milho de segunda safra, aumentando a exposição da cultura à estiagem.
Além da queda de produtividade, a Aprosoja alerta para a possibilidade de aumento dos custos com sementes, diesel, máquinas, mão de obra, irrigação, transporte de água e suplementação dos rebanhos.
A entidade, entretanto, ressalta que ainda não existe estimativa oficial consolidada das possíveis perdas financeiras em Rondônia e defende a criação de uma metodologia estadual para registrar e validar eventuais prejuízos.
RIO MADEIRA ENTRA NO RADAR
Outro ponto considerado estratégico é a navegação no Rio Madeira. A Defesa Civil de Porto Velho informou, em 25 de agosto, cota de 4,20 metros, em um cenário que exige atenção diante da possibilidade de novas reduções do nível do rio.
A hidrovia movimentou 12,1 milhões de toneladas em 2025, incluindo aproximadamente 7 milhões de toneladas de soja e 3 milhões de milho, além de combustíveis, alimentos e outras mercadorias.
A experiência de 2024 mostrou que níveis críticos podem reduzir o tamanho dos comboios, provocar transbordos, aumentar custos logísticos e até interromper temporariamente a navegação comercial.
APROSOJA QUER SALA DE CRISE PERMANENTE
Diante do cenário, a entidade defende uma estrutura permanente de monitoramento, coordenada pela Defesa Civil Estadual e integrada por órgãos como Casa Civil, Sedam, Seagri, Idaron, Emater, SOPH, Corpo de Bombeiros, Caerd, municípios, órgãos federais, Marinha, operadores logísticos e representantes do setor produtivo.
Entre as medidas propostas estão a criação de um painel semanal de monitoramento, protocolo para levantamento de perdas agrícolas, plano logístico para o Madeira, reforço no abastecimento de água e preparação das estruturas de prevenção e combate a incêndios.
A Aprosoja também pede que o Estado deixe preparados os instrumentos técnicos necessários para uma eventual decretação de situação de emergência, caso danos e prejuízos concretos sejam posteriormente comprovados, sem antecipar uma declaração baseada apenas em prognósticos.
“PREVENIR AGORA”
A entidade reconhece iniciativas já adotadas pelo Estado e pela União, como as discussões técnicas sobre o fenômeno climático, o Plano de Contingência para Eventos Hidrológicos Extremos da SOPH e o contrato federal de dragagem contínua do Rio Madeira.
Mas, para a Aprosoja, as ações precisam sair de iniciativas isoladas e formar um único plano de resposta, com responsáveis, prazos e indicadores públicos. O presidente da entidade, Jair Roberto Gollo, defende que a preparação aconteça antes que os prejuízos apareçam.
Para a instituição representativa dos produtores em Rondônia, diante desse cenário, é válido afirmar que não se trata de decretar emergência antes da hora, mas de preparar o Estado para não correr atrás do prejuízo depois que ele acontecer.
Fonte: APROSOJA
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