No debate da Rema TV, canal 5.1, a promessa de reduzir o preço das passagens aéreas em Rondônia esbarrou na falta de explicação sobre como a medida seria colocada em prática e qual seria o impacto para os cofres públicos
Para quem vive em Rondônia, viajar de avião não é luxo. Muitas vezes, é necessidade. É o filho que precisa visitar os pais que moram longe. É a mãe que quer rever os filhos que foram embora. É a família que espera o período de férias para finalmente conseguir viajar. É o profissional que precisa se deslocar para trabalhar, participar de reuniões ou buscar novas oportunidades.
Mas, para grande parte dos rondonienses, o preço da passagem aérea transforma uma simples viagem em uma decisão difícil. Foi justamente nesse ponto que a proposta apresentada pelo candidato Marcos Rogério durante a campanha foi colocada sob pressão no debate realizado pela Rema TV, canal 5.1.
Marcos Rogério tem apresentado como proposta a redução do ICMS incidente sobre o transporte aéreo como forma de tentar diminuir o valor das passagens nos destinos de entrada e saída de Rondônia. A ideia, apresentada nos debates como uma solução para baratear os bilhetes, porém, vem sendo questionada pela falta de detalhamento sobre sua execução.
Ele não fala, por exemplo, quanto o Estado deixaria de arrecadar com essa redução. Não aponta qual seria o impacto nas contas públicas, que contrapartida seria exigida das companhias aéreas e como garantir que uma eventual redução do imposto realmente chegaria ao bolso do passageiro. O motivo é bem óbvio: ele não tem resposta para nenhuma dessas questões. Está fazendo politicagem na tv para tentar angariar votos com as dores desse público-alvo. Nem que para isso tenha que fazer populismo barato.
Essas questões são fundamentais quando uma proposta envolve renúncia de receita pública e o candidato Neto, do PT, as colocou na mesa de forma a desmascarar o oponente Marcos Rogério. Só não foi tenso esse ponto no debate porque MR não esperava a reação e ficou calado, vazio e sem resposta.
Ao cobrar explicações sobre a operacionalização da medida, o adversário colocou a proposta diante da realidade: não basta dizer que vai reduzir imposto. É preciso explicar quanto custa, de onde sairá o dinheiro e qual mecanismo fará com que a redução chegue efetivamente ao consumidor.
A cobrança deixou a promessa sem a resposta que o eleitor espera de quem pretende administrar o Estado.
O passageiro quer saber o que muda na vida dele
No fim das contas, o cidadão não está interessado apenas na disputa política em torno do ICMS. Ele quer saber se vai conseguir comprar uma passagem por um preço que caiba no orçamento.
Uma família de quatro pessoas, por exemplo, pode ter de gastar milhares de reais para sair de Rondônia e visitar parentes em outro estado. Para quem recebe salário, trabalha por conta própria ou vive de uma renda apertada, uma viagem pode significar meses de planejamento. Por isso, baratear as passagens aéreas é uma proposta que merece ser discutida com seriedade.
Mas justamente por atingir diretamente o bolso do cidadão, não pode ficar restrita a uma frase de efeito utilizada em debates eleitorais. O eleitor rondoniense já aprendeu que promessa bonita não paga conta.
Passagem aérea mais barata é uma necessidade real. Mas, para sair do discurso e virar benefício para a população, precisa de planejamento, negociação e gestão.
Foi isso que faltou quando Marcos Rogério foi colocado diante da pergunta sobre como executar a própria promessa. E foi aí que a casa dele caiu ao vivo para milhares de telespectadores.
No debate da Rema TV, Expedito Neto não discutiu apenas uma alíquota de imposto. Colocou em discussão algo maior: a diferença entre prometer uma solução e saber como fazê-la acontecer.
