COLUNA DA HORA, JORNALISTA GÉRI ANDERSON – “14 MILHÕES PARA UM MUSEU FORA DE RONDÔNIA, MARCOS ROGÉRIO!?”, QUESTIONOU UM CANDIDATO OPOSITOR E “OS TELESPECTADORES” DO DEBATE DE ONTEM, MESMO QUE NO SUBCONSCIENTE

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O debate transmitido ao vivo ontem à noite pelo Canal 5.1, da REMA TV, entre o governista Adailton Fúria (PSD) e o oposicionista Marcos Rogério (PL) teve na saúde um dos momentos mais duros da noite. De um lado, a cobrança por investimentos concretos, e, do outro, a tentativa de justificar escolhas políticas e a destinação de recursos.

Mas quem estava assistindo queria mesmo era saber quem tem um plano capaz de transformar o dinheiro público em atendimento de verdade e, pelo mínimo, diminuir a fila de pacientes da medicina especializada.

Fúria questionou Marcos Rogério sobre a destinação de R$ 14 milhões em emendas para um museu em Brasília, cobrando que o candidato explicasse por que recursos dessa dimensão não teriam sido direcionados para áreas consideradas prioritárias em Rondônia, especialmente a saúde de Ji-Paraná.

Nessa mesma hora até mesmo o eleitor mais inocente questionou silenciosamente a mesma coisa: “Porque o recurso não veio para Rondônia, se o senador foi eleito para nos representar e trazer benefícios para nossa terra?”

O candidato depois tentou justificar, assumindo que foram R$ 500 mil reais para um projeto evangélico e não R$ 14 milhões, como Fúria acusou. Mesmo assim, a crítica atingiu um ponto muito sensível.

Para quem espera meses por uma consulta, enfrenta dificuldades para conseguir um exame ou precisa viajar para outro município em busca de atendimento, a discussão sobre milhões de reais não é abstrata. É a diferença entre ser atendido ou continuar esperando.

Mas o embate também expôs uma fragilidade dos dois lados: enquanto Fúria cobra o adversário, o governo do qual faz parte também precisa responder por problemas históricos da saúde estadual. Não basta apontar o erro do outro. É preciso apresentar solução, estabelecer prioridades e mostrar como fazer.

É PRECISO PENSAR COMO RONDONIENSE

É justamente nesse espaço que entra a proposta de Hildon Chaves, com uma visão de gestão que procura tirar a saúde do discurso político e colocá-la na rotina das pessoas.

A proposta de Hildon parte de uma premissa simples: o cidadão não pode precisar viajar centenas de quilômetros para ter acesso ao atendimento que deveria encontrar perto de casa. Isso significa descentralizar serviços, fortalecer as estruturas regionais, ampliar a capacidade hospitalar no interior e reduzir a dependência de Porto Velho.

Também significa enfrentar o problema das filas, melhorar a regulação, ampliar a oferta de consultas e exames especializados e dar condições para que os municípios tenham uma rede de atendimento mais resolutiva.

O debate entre Fúria e Marcos Rogério, portanto, acabou indo além da troca de acusações. Mostrou a distância que ainda existe entre a política e a vida real de quem depende do SUS.

Marcos Rogério foi colocado diante da necessidade de explicar melhor suas escolhas e, principalmente, como pretende transformar sua experiência política em gestão concreta da saúde. Fúria, por sua vez, não pode se limitar à condição de acusador. Por representar o grupo que administra o Estado, também precisa explicar por que problemas conhecidos continuam afetando quem procura atendimento. Tem que ser mais rondoniense também.

E é aí que Hildon tenta ocupar um espaço diferente. Com o mote de campanha que leva uma mensagem de “unir todas as Rondônias”, é o que mais se posiciona como rondoniense de DNA. Leva a mensagem pacifista de “menos briga política e mais gestão, planejamento e presença do Estado onde o cidadão está”.

Porque, no fim das contas, o paciente não quer saber quem venceu o debate. Ele quer saber quando será atendido. Quer hospital funcionando, médico disponível, exame no prazo e tratamento perto de casa.

E essa talvez seja a principal lição deixada pelo confronto: saúde não se resolve com discurso, nem com disputa de emendas. Resolve-se com prioridade, gestão e capacidade de entregar.

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