
Na política existe uma máxima antiga: todos gostam da traição quando ela lhes favorece, mas quase ninguém perdoa o traidor.
A presidente estadual do Progressistas, Silvia Cristina, parece ter decidido deixar de lado qualquer preocupação em esconder seus movimentos políticos. Depois de lançar sua pré-candidatura ao Senado sem a presença do governador Marcos Rocha, principal liderança do partido em Rondônia, e com integrantes de um grupo político adversário em destaque, Silvia passou a marcar presença em eventos de lançamento de candidatos de legendas rivais.
A pergunta é inevitável: quem ela representa?
Quem preside um partido tem, como principal missão, fortalecer sua própria legenda, prestigiar seus candidatos e manter a unidade do grupo. Quando a dirigente passa a ocupar palanques de adversários, a mensagem transmitida para filiados e eleitores é exatamente a oposta.
Silvia iniciou sua trajetória política no PDT, migrou para um projeto de centro-direita e, agora, parece caminhar em sentido contrário ao da própria federação partidária.
Do ponto de vista jurídico, participar de eventos de outros partidos não configura, por si só, infidelidade partidária. Entretanto, quando esse comportamento se torna recorrente e demonstra apoio político a projetos concorrentes, abre espaço para cobranças internas e para um evidente desgaste dentro da legenda e da federação.
Mais do que uma questão jurídica, trata-se de coerência política.
Se a presidente do Progressistas prefere prestigiar candidatos de outros partidos, é natural que seus próprios filiados se perguntem qual é, afinal, o projeto que ela lidera.
Porque, na política, alianças mudam. Oportunidades aparecem. Mas uma regra permanece atual: a traição pode até ser útil para alguns, porém os traidores dificilmente encontram perdão quando a conta chega.