A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos passa a valer a partir desta sexta-feira (5), no território americano. A medida tem gerado discussões sobre possíveis reflexos nas áreas de segurança, economia e relações diplomáticas entre os países.
Desde o anúncio, o governo brasileiro mantém interlocução com autoridades americanas na tentativa de reverter a decisão. Integrantes do governo federal avaliam que não há, neste momento, indicativos de operações militares dos Estados Unidos em território brasileiro.
EL SALVADOR
“Se o estado não vence a criminalidade, é porque o estado é cúmplice”, Bukele.
A frase defende que o Estado tem o monopólio da força e que, portanto, nenhuma facção é mais poderosa que o aparato governamental. Segundo essa visão, a continuidade do crime organizado decorre não de falta de capacidade institucional, mas de corrupção ou omissão intencional de autoridades.
O pensamento reflete a retórica e a política de segurança adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que ganhou notoriedade internacional ao implementar medidas extremas de combate às gangues em seu país.
Nayib Bukele reduziu drasticamente a criminalidade em El Salvador por meio de uma política de “tolerância zero” baseada em prisões em massa, militarização e suspensão de garantias constitucionais. Essas ações transformaram o país e hoje os cidadãos voltaram a ser livres e distantes do medo que assolava suas comunidades.
Estado de Exceção
Desde março de 2022, o governo decretou um regime de emergência (renovado continuamente) que suspendeu o direito à defesa, aumentou o tempo de detenção sem ordem judicial e permitiu prisões em massa.
Megaprisões
Construiu o CECOT (Centro de Confinamento del Terrorismo), um complexo de segurança máxima com capacidade para 40 mil detentos, projetado para isolar totalmente os líderes das gangues e impedir a comunicação externa
Encarceramento em Massa
Mais de 90 mil supostos membros ou colaboradores de gangues foram detidos desde o início da ofensiva.
Reformas Legais
A Assembleia Legislativa aprovou reformas que permitem penas de prisão perpétua para crimes graves e reduziu a maioridade penal para 12 anos em casos de envolvimento com o crime organizado.
Aumento do Efetivo
Houve forte investimento em equipamentos e ampliação do contingente das Forças Armadas e da Polícia Nacional Civil.