COLUNA DA HORA, JORNALISTA GÉRI ANDERSON – DA SÉRIE “O GABINETE PARALELO DO PRÉDIO DO RELÓGIO”: MPE PROCURA ANDERSON PARENTE E ENCONTRA APENAS O SILÊNCIO

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O gabinete paralelo do Prédio do Relógio. Estrutura milionária de promoção pessoal entra no radar dos órgãos de controle

 

A pergunta que circula há meses nos corredores do Prédio do Relógio finalmente parece ter chegado aos órgãos de controle: afinal, quem manda na comunicação da Prefeitura de Porto Velho?

Nesta semana, segundo informações obtidas por este colunista, representantes do Ministério Público estiveram na Prefeitura em busca de Anderson Parente da Costa, personagem que há muito deixou de ser apenas um assessor para se transformar no verdadeiro operador político e midiático da atual administração.

O resultado da diligência foi quase cinematográfico: Anderson, obviamente, não foi encontrado.

Nos bastidores da administração municipal, a ausência virou ironia pronta. Afinal, todos sabem que Anderson acompanha agendas, organiza gravações, define pautas, cobra secretários, interfere em campanhas institucionais e articula planos de mídia com agências e veículos de comunicação. Mas, oficialmente, segue ocupando um cargo incapaz de traduzir o poder que exerce dentro da prefeitura.

A essa altura, já não se discute mais influência. Discute-se comando.

E os números ajudam a explicar o tamanho da engrenagem.

Com base em levantamento realizado a partir do Portal da Transparência da Prefeitura de Porto Velho, a estrutura ligada diretamente à produção de imagem pessoal da atual gestão já consumiu mais de R$ 1,6 milhão entre salários, diárias e despesas correlatas.

A equipe opera como uma agência informal de marketing político instalada dentro da prefeitura, utilizando servidores públicos, estrutura pública, equipamentos públicos e recursos do contribuinte, tudo custeado pela própria Prefeitura de Porto Velho.

No centro de tudo está Anderson Parente.

Ele acompanha viagens, organiza gravações externas, define estratégias digitais, interfere na publicidade institucional e, segundo relatos recorrentes dos bastidores políticos, possui influência direta sobre inclusão e exclusão de veículos de comunicação nos planos de mídia da prefeitura.

Há ainda relatos mais delicados, que agora começam a circular com mais intensidade entre servidores e agentes políticos: informações de que parte da remuneração de integrantes da equipe seria destinada mensalmente ao próprio Anderson Parente. A denúncia, evidentemente, precisa ser apurada pelos órgãos competentes.

O fato é que a situação deixou de ser apenas assunto de bastidor.

A chamada “República da Lente Escura”, antes tratada como exagero retórico por aliados da administração, hoje se materializa em números, cargos, diárias, viagens e estruturas paralelas de comunicação funcionando dentro da máquina pública.

Enquanto isso, Porto Velho segue convivendo com buracos, unidades de saúde precárias, escolas sem estrutura adequada e bairros abandonados pela administração.

Mas nas redes sociais da gestão, tudo funciona perfeitamente.

A máquina pública virou cenário.
O contribuinte virou patrocinador involuntário.
E o Prédio do Relógio virou uma espécie de produtora oficial de conteúdo político.

Agora, ao que parece, alguém finalmente resolveu bater à porta. Ainda que Anderson Parente não estivesse lá para atender.

Fonte: COLUNA DA HORA 

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