PORTAL COLUNADAHORA.COM.BR – PESQUISA APONTA QUE BRASILEIROS ESTÃO CONSUMINDO MAIS BEBIDAS SEM ÁLCOOL EM BARES E RESTAURANTES POR CAUSA DE CANETAS EMAGRECEDORAS; PREJUÍZO NO RAMO DE ALIMENTAÇÃO JÁ É REALIDADE

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O abrupto aumento do uso de medicamentos para emagrecimento começa a refletir no comportamento de consumo em bares e restaurantes no Brasil. Levantamento da Abrasel indica que 61% dos empresários do setor já perceberam mudanças associadas ao uso de remédios como o Ozempic e Mounjaro, muito conhecidas pelos brasileiros por “canetas emagrecedoras”.

As “canetas emagrecedoras” são medicamentos injetáveis desenvolvidos originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e, posteriormente, aprovados para o controle da obesidade e sobrepeso. Elas atuam simulando hormônios naturais do corpo (GLP-1 ou GIP) que sinalizam ao cérebro e estômago uma maior saciedade, reduzindo o apetite.

Menos sobremesas e mais moderação nos pedidos

Entre os principais impactos identificados pela pesquisa está a redução no consumo de pratos principais e, principalmente, de sobremesas. Mais da metade dos empresários (56%) percebeu mudanças no volume de pedidos dos pratos principais, com predominância de quedas moderadas. No caso das sobremesas, 65% notaram alterações e, entre esses, um em cada cinco relatou forte redução na demanda.

O comportamento sugere uma busca mais evidente por restrição calórica nas escolhas individuais. Essa tendência também se reflete no aumento da preferência por porções menores. Segundo o levantamento, 64% dos empresários observaram crescimento nos pedidos de miniporções, enquanto mais de 70% apontaram maior frequência de escolhas consideradas mais leves. A prática de compartilhar pratos principais também avançou, sendo mencionada por 64% dos entrevistados.

As mudanças também atingem o consumo de bebidas. Embora 65% dos empresários tenham notado alterações nos pedidos de bebidas alcoólicas, o avanço das opções não alcoólicas é mais consistente. Mais da metade dos entrevistados (53%) percebeu crescimento nesse tipo de consumo. Também aumenta a substituição de bebidas alcoólicas por alternativas sem álcool ou com menor teor, especialmente em estabelecimentos de maior faturamento.

Quase metade dos negócios ainda não têm estratégias

Ainda de acordo com a pesquisa, o cenário já se reflete nas finanças do setor. Quatro em cada dez empresários afirmam que ainda não conseguiram compensar a redução no volume consumido por cliente, o que acelera a necessidade de ajustes nas estratégias comerciais.

Entre os estabelecimentos que buscam alternativas, a criação de combos e menus estruturados é a mais adotada, presente em 26% dos estabelecimentos. Outra estratégia comum é o estímulo ao aumento da frequência de visitas dos consumidores, citado por 22% dos empresários. Nesse caso, a lógica é equilibrar um tíquete médio menor com maior recorrência do cliente ao longo do tempo.

Também ganha espaço a oferta de itens de maior valor agregado, adotada por 21% dos entrevistados. Além dessas iniciativas, começam a surgir adaptações mais direcionadas ao novo perfil de consumo, como a inclusão de pratos com menor valor calórico, pensados especialmente para clientes que utilizam os medicamentos para emagrecimento.

“O setor de alimentação fora do lar tem um histórico positivo de adaptação às mudanças no comportamento do consumidor. Como este ainda é um movimento recente, é natural que os impactos sejam sentidos com maior intensidade neste momento, mas já há espaço para inovação e ajustes. Essas estratégias, além de contribuírem para equilibrar margens, podem inclusive ampliar a capacidade dos estabelecimentos de atrair perfis de clientes mais diversificados”, conclui Solmucc

Fonte: ABRASEL/COLUNA DA HORA

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