Racha no Podemos, máquina em movimento e projeto familiar escancaram o método no Prédio do Relógio
Léo Moraes nunca escondeu o traço dominante do seu perfil político. Quem circula ao redor dele repete a mesma avaliação: diálogo não ocupa o centro das decisões, construção coletiva não define o rumo, divisão de espaço não faz parte do plano. Ele prefere concentrar. E é por isso que não consolidou um grupo amplo e coeso ao longo da trajetória.
A comparação que corre nos bastidores é simples: a história do escorpião e do sapo. O escorpião promete que não ataca, mas fere no meio da travessia porque age conforme a própria natureza. Léo teve protagonismo no Detran durante o governo Marcos Rocha. Hoje mantém distância política do governador. Não preserva pontes duradouras. Prefere autonomia absoluta.
Esse padrão aparece dentro da própria base.
O racha entre Rodrigo Camargo e Delegado Flori não surgiu por acaso. A leitura recorrente entre aliados e observadores é clara: o prefeito movimenta peças para manter todos sob dependência direta. Divide forças, administra tensões, centraliza decisões. Quem quiser espaço precisa se alinhar. Quem quiser influência precisa se submeter.
Enquanto isso, outro projeto avança.
A engrenagem administrativa começa a favorecer Paulo Moraes. A movimentação é visível. Cargos estratégicos seguem vagos. Secretarias permanecem sem adjuntos. Pastas seguem sem comando definitivo. Estruturas ficam abertas para negociação política.
O quadro chama atenção:
– SEMA sem adjunto.
– SECOM sem titular.
– SEMAD sem adjunto.
– SEMED sem adjunto.
– SEMTRAN sem adjunto.
– SEMAGRIC sob expectativa de rearranjo.
O desenho indica articulação eleitoral antecipada. A máquina aquece. O sobrenome ganha tração.
E aqui é preciso registrar: este jornal já publicou diversas vezes que Léo utiliza a estrutura pública para fortalecer sua imagem pessoal. Dentro da Prefeitura funciona um núcleo isolado, tratado nos bastidores como “bunker do ódio”, dedicado à gestão de redes sociais pessoais do prefeito. A equipe é coordenada por Anderson Parente, conhecido entre colegas como “admirador do modelo de comunicação da Secom de Maceió”. Todos remunerados com salários pagos pela Prefeitura de Porto Velho.
Comunicação institucional virou extensão de marketing político.
Agora o roteiro avança para outra etapa. A gestão passa a servir, de forma cada vez mais aberta, como plataforma eleitoral para o irmão do prefeito nas eleições deste ano. Não há esforço para disfarçar. A presença constante, os espaços estratégicos, as movimentações internas indicam preparação de terreno.
E essa leitura não é isolada.
Alan Alex apontou em sua coluna o estilo centralizador e a dificuldade de Léo em dividir protagonismo. Robson Oliveira descreveu o mesmo ambiente de tensão controlada. Herbert Lins apresentou análise semelhante ao abordar o comportamento político do alcaide. Carlos Caldeira, em comentário em vídeo, indicou o mesmo padrão de concentração de poder. Será que o JORNALISTA GÉRI ANDERSON ESTÁ ERRADO?
São observadores experientes, próximos da gestão Léo Moraes (menos este escriba, é claro) com trânsito institucional, que mantêm independência editorial. A convergência chama atenção.
Quando diferentes vozes chegam ao mesmo diagnóstico, o cenário deixa de ser impressão e passa a ser padrão político.
No Prédio do Relógio, o tabuleiro segue montado. A máquina trabalha. As peças se movem. E o projeto familiar ocupa o centro da mesa.
COLUNA DA HORA – JORNALISTA GÉRI ANDERSON