O nome do pecuarista Bruno Scheid, vice-presidente do PL em Rondônia, lançado como pré-candidato ao Senado Federal em 2026 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, está longe de ser consenso dentro do partido. Pelo contrário: a escolha tem gerado forte reação de membros da sigla, que enxergam na decisão uma imposição autoritária de cima para baixo, sem diálogo com as bases.
Em municípios estratégicos, a insatisfação é evidente. Em Ouro Preto do Oeste, por exemplo, onde o PL possui três vereadores (Ferreirinha, Milão e Jack Passos) e o vice-prefeito (Dr Job Leonardo), Scheid sequer apareceu para uma visita oficial. Para muitos filiados, esse distanciamento mostra desprezo pelas lideranças locais, o que fragiliza ainda mais sua pré-candidatura.
A crítica recorrente é de que Bruno Scheid se apoia exclusivamente no peso da indicação de Bolsonaro, sem se preocupar em construir pontes com os quadros que realmente seguram a sigla nos municípios. Tal postura é vista como arrogante e descolada da realidade política de Rondônia, onde alianças regionais costumam definir o resultado das urnas.
A história política recente do estado reforça essa leitura. Senadores como Confúcio Moura e Marcos Rogério só alcançaram êxito porque fizeram um trabalho de base consistente, visitando municípios, ouvindo lideranças e se aproximando de vereadores e prefeitos. Sem esse movimento, dificilmente teriam alcançado a cadeira no Senado. O próprio PL sabe que Rondônia é um estado onde a força eleitoral se constrói no corpo a corpo, e não apenas na vitrine de Brasília ou em uma chancela nacional.
O PL, que hoje é uma das maiores forças do estado e detém forte influência entre o eleitorado bolsonarista, não parece disposto a aceitar passivamente um nome que não dialoga com suas lideranças. A resistência pode transformar a pré-candidatura de Scheid em um verdadeiro problema interno, dificultando a própria campanha antes mesmo do início oficial.
Ao ignorar as bases e confiar apenas na indicação de Bolsonaro, Bruno Scheid corre o risco de ver sua pretensão ao Senado naufragar. Afinal, em Rondônia, quem não pisa no barro dificilmente conquista o voto.
Fonte: Alexandre Araujo / Ouropretoonline.com